Omnidea - Tiago Pardal e Nuno Fernandes, fundador e consultor da empresa.

Omnidea

Dos tanques às plataformas em altitude.

ALEXANDRA MACHADO/JORNAL DE NEGÓCIOS

Tiago Pardal não gosta muito de computadores e as empresas que trabalhavam na indústria do espaço eram de informática. "Tive de criar o meu próprio emprego", afirma, para explicar o arranque da Omnidea. Tiago Pardal esteve a trabalhar na Agência Espacial Europeia. "Tive de ir para lá", porque concorrer às cegas não funciona.

"É preciso estabelecer uma relação de confiança". E o segredo foi concorrer com um produto que ninguém tinha, diz Tiago Pardal.

Era um conceito e ainda está em desenvolvimento: célula de combustível e sistemas de propulsão. Está em desenvolvimento, mas ainda longe do mercado. A Omnidea garante que já tem quatro contratos com a ESA e está em fase de avaliação para um quinto, sempre como "prime", isto é, como cabeça do projecto. "Este quinto é mesmo para seguir para a fase de qualificação" e tem a ver com a área dos tanques.

"A ESA é uma indústria de pequenas quantidades, mas é interessante pelas parcerias, conhecimento e permite desenvolvimento de tecnologias de ponta". E a Omnidea está já a fazer transferência de tecnologias, nomeadamente na parte dos reservatórios para a indústria farmacêutica e automóvel. Uma parceria com a Magna, empresa que adquiriu a Opel, pode levar a Omnidea a fornecer reservatórios de alumínio de alta resistência para anestésicos líquidos. E, na indústria automóvel, a Omnidea pretende desenvolver reservatórios sem cordão de soldadura para armazenamento de gás natural comprimido para utilização nos autocarros ou automóveis. Nuno Fernandes, da Omnidea, garante que a solução da empresa é mais segura e terá um menor custo. Outro projecto que tem ocupado o tempo de Tiago Pardal é o de captação de energia do vento a grandes altitudes. E se este projecto, designado Boreas, começou na energia, pode ser transferido para o espaço, já que se trata de um balão superevoluído que pode subir até à estratosfera.

Dois projectos que poderão transformar a empresa, que hoje em dia ainda tem o seu negócio concentrado nos projectos ESA (80%) e nunca facturou mais de 400 mil euros.

Um grande passo para as PME. (2009, October 1). Jornaldenegocios.pt.